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sábado, 27 de agosto de 2011

A Prática de Trabalho Voluntário como Prevenção de Doenças Psicossomáticas

Resumo da monografia apresentada à FACIS/IBEHE, para obtenção do título de especialista em Psicossomática (SP/2001), recém-apresentada no 4º Encontro Internacional de Medicina Integrada, na UNICENP – Curitiba – 16 e 17 de abril de 2005. Publicado na revista nº9, pág.20, abril 2006 da ASAMI (Academia Sul Americana de Medicina Integrada)

Na nossa cultura, a formação dos médicos e dos psicólogos está toda voltada para lidar com a doença e não com a saúde. A partir da constatação dessa realidade, sentimo-nos chamados a voltar a atenção para a prevenção ou profilaxia de doenças e desenvolvermos nossa consciência para uma Psicossomática Comunitária.
De acordo com a Psicossomática, a maior parte das doenças é de origem emocional e se instala no corpo, ou soma (doença física), ou na mente (doença psíquica) do indivíduo que cria, por um motivo ou outro, sua própria necessidade de adoecer. Segundo Zenidarci: "Os processos desencadeadores do adoecer estão estreitamente ligados às perdas e frustrações vividas pelo indivíduo e à elaboração ou não destes fatos. O stress, tanto físico quanto psíquico, e a baixa tolerância ao ’não’ também são fatores desencadeantes. Cada um de nós tem um estilo de vida, portanto, temos com isso um próprio estilo de adoecer. Os grandes filósofos e médicos da antiguidade já diziam que o principal fator causal das doenças é a conduta do indivíduo e suas consequências."
Como ninguém é uma ilha, estando todos na roda da vida sob influências do meio sócio-cultural-econômico e, ainda, tendo que levar em conta nossa personalidade com todos os complexos e traumas adquiridos desde o nascimento, podemos inferir ser utópica a possibilidade de um indivíduo nunca ficar doente. (Isso sem levar em conta fatores externos, pertencentes ao meio ambiente físico).
Segundo a OMS, "saúde é o total bem-estar biopsicossocial do homem". Se aceitarmos essa definição de saúde como um estado de permanência, ficaremos desesperançados e nos sentiremos impotentes diante das circunstâncias da vida. No entanto, se considerarmos que vivemos num continum entre não doença/doença/não doença..., então poderemos nos motivar a permanecer o maior tempo possível no estado de não doença (equivalente a saúde) e, ainda, se entrarmos na doença, existirá a possibilidade de sairmos dela por um esforço pessoal, vontade e deliberação.
Conforme nos diz Romano: "O fato real é que o psiquismo é fundamental na conservação da saúde e que o indivíduo adoece por ‘opção’ de vida, mesmo que de forma inconsciente!" Muitos são os fatores e, entre eles, o que mais comumente aparece é a necessidade que o ser humano tem de ganhar atenção e cuidados especiais, ou seja, a necessidade de sentir-se amado.
Como na Psicossomática é importante considerar o indivíduo como um todo, pois ele adoece por inteiro, e de acordo com o embasamento teórico apresentado nesta monografia, faz-se necessário incluir o nível espiritual na definição de saúde proposta pela OMS, passando a ser assim definida: "Saúde é o total bem-estar bio-psico-social-espiritual do homem", indo, dessa maneira, ao encontro dos conceitos da Psicologia Analítica, da Psicologia Transpessoal e da Psicossíntese.
Dentro da Psicossíntese, é clara e concisa a afirmação sobre a importância do desenvolvimento espiritual na saúde mental dos indivíduos. Nesse sentido, o termo ‘espiritual’ remete não somente a experiências tradicionalmente consideradas religiosas, como também a todos os estados de consciência e a todas as funções e atividades humanas que têm como denominador comum a posse de valores superiores aos comuns - valores éticos, estéticos, heroicos, humanitários e altruístas.
Se, como foi dito anteriormente, cada um de nós tem um estilo próprio de adoecer, poderemos também afirmar que cada um de nós tem seu próprio estilo de não entrar na doença, ou seja, de preveni-la permanecendo, assim, em ótimo estado de saúde.
Refletindo sobre a possibilidade de trabalhos humanitários e altruístas serem o caminho para se permanecer em estado de saúde, surgiram duas hipóteses para serem investigadas: 1) o que leva um indivíduo a realizar trabalhos voluntários é o fato de ele ter tido um despertar espiritual e, consequentemente, estar em busca da satisfação das suas metanecessidades; 2) o indivíduo que satisfaz suas metanecessidades mantém sua saúde psíquica e física.
Definindo os conceitos propostos nas hipóteses, temos: “Despertar espiritual: é o acordar para outra realidade diferente daquela em que esteve até então; é sair do mundo da ilusão; é a tomada de consciência de outros níveis da mente.” As experiências que costumam preceder o despertar espiritual são aquelas que causam algum choque emocional ou que colocam a vida em xeque como, por exemplo, a perda de um ente querido, ter sobrevivido a um acidente grave ou a uma doença, ter entrado em estado de coma, separação de laços afetivos ou matrimoniais, a dor da traição, mudança de cidade ou país com culturas e costumes diferentes, a perda de emprego, rompimento de sociedades, etc. Porém, por vezes, a crise que precede o despertar espiritual se manifesta sem causa aparente e no pleno gozo da saúde e prosperidade. A mudança começa, muitas vezes, com uma crescente sensação de insatisfação, de carência, de "alguma coisa que falta" e que nada tem de material e definido. Acrescenta-se a isso, gradualmente, um sentido de vazio com relação à vida cotidiana. Assuntos pessoais, que antes absorviam tanto a atenção e o interesse, parecem perder a importância e o valor. Surgem novas preocupações. O indivíduo começa a procurar a origem e o propósito da vida, a perguntar a razão de muitas coisas que antes tinha por certas - a questionar, por exemplo, o sentido do sofrimento pessoal e alheio, e da justificativa possível para tantas desigualdades no destino dos homens.
O despertar espiritual provoca as chamadas metamotivações - motivações advindas da alma - tais como: vontade de ajudar o próximo, de diminuir a dor e o sofrimento do outro, colocar-se a serviço de Deus e da humanidade.
“Metanecessidades: são necessidades da alma, tais como sentir alegria, paz, harmonia, amor incondicional, humildade, compaixão, sensibilidade, intuição, preencher o vazio interior, estar próximo de Deus e fortalecer a fé. “
As quarenta pessoas que fizeram parte da amostra para a realização deste trabalho científico, todas voluntárias que aplicavam o Reiki, ao serem entrevistadas, nos forneceram dados que vieram comprovar as nossas hipóteses. Todas elas haviam passado por um despertar espiritual e haviam sido motivadas a ouvir a voz interior que apontava para um trabalho humanitário. Tendo restaurado o eixo ego/self, isto é, o equilíbrio entre a personalidade e a alma, tornaram-se saudáveis psiquicamente. Em decorrência da saúde mental tornaram-se, também, saudáveis fisicamente.
Dessa forma, ficaram comprovadas as hipóteses que, justapostas, nos dão a seguinte fórmula operacional, entendendo que um item leva ao subsequente: o despertar espiritual
à metamotivações à trabalho voluntário à metanecessidades satisfeitas à saúde psíquica à saúde física.
E, assim, terminamos o nosso trabalho com a certeza de que a afirmação feita por São Francisco de Assis foi comprovada cientificamente: "É dando que se recebe".

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Infância e Adolescência: quando buscar ajuda?


Não se sabe exatamente quando a criança deixa de lado a chupeta e adota o laptop, antes passando pelo celular. Antes parecia possível ver a criança passar serenamente para a pré-adolescência, desta para a adolescência e, paulatinamente, para o adulto jovem. Hoje o desenvolvimento da infância e adolescência é mais turbulento.
Entre a infância e adolescência existe a criança adolescentóide – arremedando o adolescente – com batom, celular e preocupado com grifes, cortes de cabelo fashion, bem como o adolescente com (ir) responsabilidades infantis. Participando desse desenvolvimento complicado existem no Brasil cerca de 5 milhões de crianças e adolescentes demonstrando problemas emocionais, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Associação Brasileira de Psiquiatria realizou, em parceria com o instituto Ibope, promoveu uma pesquisa nacional que estimou a prevalência de sintomas dos transtornos mentais mais comuns na infância e na adolescência (de 6 a 17 anos). Para essa pesquisa foram entrevistadas 2002 pessoas, em 142 municípios de todas as regiões do Brasil em outubro de 2007.
Aproximadamente 12,6% das mães entrevistadas relataram ter um filho com sintomas emocionais suficientes para necessitar tratamento (vem daí o número de cinco milhões). Dessas mães, 28,9% delas não conseguiram ou não tiveram acesso a atendimento público; 46,7% obtiveram tratamento no SUS e 24,2% através de convênio ou profissional particular. Em geral as crianças que não conseguem tratamento se desenvolvem mal e podem se tornar adultos vulneráveis e com dificuldades emocionais.
Segundo a pesquisa, a maior parte das crianças e adolescentes apresenta sintomas que somam mais de um transtorno emocional. Resumindo, são mais de três milhões (8,7%) com sinais de hiperatividade ou desatenção; mais de 2,5 milhões (7,8%) com dificuldades de leitura, escrita e contas (sintomas que correspondem ao transtorno de aprendizagem), mais de 2 milhões com sintomas de irritabilidade e comportamentos desafiadores e igual número com dificuldade de compreensão e atraso em relação a outras crianças da mesma idade.
Sinais importantes de depressão típica também aparecem em aproximadamente 1,5 milhão (4,2%) das crianças e adolescentes e mais 1,5 milhão delas apresenta transtornos ansiosos importantes. Mais de um milhão das crianças e adolescentes (2,8%) apresenta problemas significativos com álcool e outras drogas. Esta população parece ter enfrentado uma dificuldade ainda maior para conseguir tratamento. Na área de problemas de conduta, como mentir, brigar, furtar e desrespeitar, 1,2 milhão (3,4%) de crianças apresenta problemas.
SINTOMAS DE PROBLEMAS EMOCIONAIS MAIS FREQÛENTES*   -   %
Hiperatividade/Desatenção
8.7
Tristeza/desânimo/choro
4.2
Ansiedade com separação da figura de apego
5.9
Dificuldades com leitura, escrita e contas
7.8
Medos específicos (insetos, trovão, etc)
6.4
Ansiedade em situações sociais
4.2
Ansiedade com coisas rotineiras (provas, o futuro, etc)
3.7
Comportamentos desafiadores, opositivos/irritabilidade
6.7
Dificuldades de compreensão/atraso escolar
6.4
Problemas com o uso de álcool e/ou drogas
2.8
Mentiras/brigas/furtos/desrespeito
3.4
* - Dados da pesquisa da ABP coordenada pela Dra. Tatiana Moya - Release da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) de 10/10/2008, disponível em http://www.abpbrasil.org.br/sala_imprensa/releases/exibRelease/?release=115.


domingo, 21 de agosto de 2011

Quais os sintomas de uma pessoa que possui doenças psicossomáticas?


De fato depende...
Sintomas comuns à ansiedade (pessoas que sempre consideram o futuro perigoso) > taquicardia, sudorese, desconforto no trato intestinal... Etc...
Sintomas comuns à depressão: isolamento, apatia, mudança no apdrao de apetite e sono... Etc...
O estado emocional, a forma como você interpreta a si, o outro e o mundo cognições/pensamentos) podem levar você a vivenciar uma emoção de ansiedade ou depressão, causando mudanças físicas...e essas mudanças físicas podem fazer com q você pense estar doente.
Ex: Síndrome do pânico de aeronave- a pessoa entra no avião e pensa "isso aqui vai cair e eu vou morrer"...fica ansiosa...os batimentos cardíacos aceleram...
Ela não pensa q esse sintoma e comum a ansiedade...ao invés disso ela da uma interpretação catastrófica e pensa " eu vou ter uma ataque cardíaco e vou morrer, por isso meu coração está acelerado"....
Esse e um exemplo típico de como mente e corpo estão ligados.....eis o grande mistério da psicossomática, que nada mais é do que interpretações distorcidas dos sintomas físicos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Doenças Psicossomáticas da Pele

O sistema tegumentar, ou tegumento comum, é a cobertura externa e contínua, que envolve todo o organismo; sendo interrompido apenas em seus orifícios naturais, onde se prolonga pela respectiva mucosa. No corpo humano é formado pela pele, cabelos, pêlos, unhas, glândulas mamárias, glândulas sudoríferas e glândulas sebáceas; além dos produtos destas glândulas, o suor e o muco. Seus orifícios naturais são as pálpebras, os canais auditivos (meatos acústicos externos), as narinas, a rima bucal, a uretra e o ânus.
Sob o ponto de vista anatômico, o tegumento comum é constituído por dois planos, um mais superficial denominado cútis e outro mais profundo denominado tela subcutânea. Os pêlos, cabelos, unhas e glândulas (alveolares e glomiformes) são tratados como anexos. Já do ponto de vista fisiológico, Lockhart et aldefiniram que “não há manto que se compare à pele em seus diversos papéis de impermeabilizar, aquecer, proteger do sol e resfriar, sensibilidade a um toque de pluma, à temperatura e à dor, suportar o desgaste de setenta anos e executa sua própria reparação” (apud KAPIT; ELSON, 2004. p. 18). Não só isso, mas o sistema tegumentar protege o corpo contra partículas nocivas e contra a desidratação, e consegue gerar vitamina D por meio da exposição à luz ultravioleta.
A cútis, conhecida vulgarmente como pele, é formada por suas membranas sobrepostas, sendo a mais externa e avascular a epiderme, e a mais interna, fibrosa e vascularizada, a derme ou cório1. A epiderme se subdivide em camadas de células achatadas (epitélio pavimentoso estratificado) chamadas de córnea, lúcida, granulosa, espinhosa e basilar; a derme se subdivide em camadas papilar de tecido conjuntivo frouxo, reticular de tecido conjuntivo denso, e é separada da epiderme por uma membrana de queratócitos mitóticos que formam a camada basilar.
Segundo Sebastião (1985), é na epiderme que se encontram os diversos tipos de pigmentos que dão as cores características às raças humanas, tais como o caroteno, a oxi-hemoglobina e a melanina, o mais importante dentre eles. A coloração da melanina varia, indo do amarelo ao negro, dependendo de sua quantidade e concentração.
A cútis também desempenha um papel fundamental no equilíbrio térmico corporal, por meio da vaso dilatação e da vaso contrição, juntamente com as glândulas sebáceas, que produzem um líquido oleoso que impede a perda da temperatura orgânica, e as glândulas sudoríferas, que produzem ao suor. O suor, ao evaporar, elimina calor, abaixando a temperatura da superfície corpórea.
No sistema tegumentar também são encontradas as glândulas ceruminosas, axilares, circumanais e vestibulares nasais; e as glândulas mamárias, que são localizadas sob os mamilos, ou papila mamária, uma pequena protuberância na pele, rica em terminações nervosas, contendo entre 15 e 20 ductos lácteos distribuídos cilindricamente, cercada pela auréola. A função primária das glândulas mamárias é a nutrição dos recém-nascidos.
Assim como as glândulas, os pêlos, cabelos e unhas também são considerados anexos da pele; porém sua importância funcional é cada vez menor nas sociedades tecnologicamente avançadas.
Um estudo mais aprofundado da pele é “eminentemente microscópico” (DÂNGELO; FATTINI, 2006), tendo sido aqui registradas algumas das informações básicas, o mínimo necessário ao entendimento desse sistema.
A pele é particularmente propensa a doenças psicossomáticas2, ou doenças psicofisiológicas. Tais estados disfuncionais são causados por processos mentais daquele que está sofrendo, ao invés de possuir uma causa imediatamente fisiológica. Condições emocionais tais como depressão e ansiedade são determinantes. A interação entre os fatores psicológicos e o sistema imunológico é estudada pela psiconeuroimunologia.
Interação extremamente complexa, como Swartz e Semrad (1951) demonstram ao citar Thompson, que “lista um grande número de manifestações físicas e conhecidas como doenças psicossomáticas que podem ocorrer com a psicose, [...] dermatografia, acrocianose, doenças acneiformes e pústulares na pele, hirsutismo e oleosidade, e compleicionalidades turvas, todas são observadas no esquizofrênico” ao mesmo tempo que relatam o caso de uma paciente de 23 anos de idade, diagnostica como portadora de psicose maníaco-depressiva, que sofreu dedermatite alérgica durante a vida toda: quando seu quadro psicológico melhorava, pústulas recobriam toda a sua pele e a alergia piorava; porém quando seu quadro psicológico degenerava, culminando em episódios de mania, sua pele apresentava uma melhora significativa.
Os fatores responsáveis por desencadear estas doenças podem ser os mais variados; Wittkower e Lipowski (1966) apontam para a possibilidade de que a alta incidência de doenças psicossomáticas da pele entre os povos africanos estar “relacionada ao contato próximo e prolongado das crianças ao corpo da mãe [origem de alguma dependência emocional].” Fatores culturais podem se mostrar mais relevantes do que fatores ambientais e econômicos nos estudos casuísticos.
Algumas das doenças psicossomáticas da pele são: a urticária, manifestando-se na forma de lesões vermelhas, com crostas, na área do pescoço, braços e rosto, embora possa aparecer em todo o corpo; a dermatite seborréica aparece gradualmente, na forma de uma escamação que pode ser seca ou gordurosa no couro cabeludo; a psoríase, reconhecível por suas formações escamosas prateadas e placas de diversos tamanhos, provocadas por um crescimento e uma produção anormalmente elevada das células cutâneas; a dermatite atópica, que é um transtorno crônico e recorrente, caracterizado por lesões rubras, prurido intenso e ressecamento em diversas partes do corpo, acompanhado de extrema sensibilidade a estímulos irritantes de contato, geralmente em episódios agudos intercalados com períodos sadios de duração variável; e o vitiligo, que é a descoloração da pele em certas áreas, com aumento progressivo das manchas, sem maiores danos à saúde.
Clinicamente todas essas doenças são hodiernamente classificadas como tendo causa desconhecida, embora algumas delas estejam relacionadas a fatores hereditários. Todas elas compartilham do fator psicológico, uma vez que casos de estresse, traumas e transtornos psíquicos são comuns nos pacientes.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

psicossomática:


A psicanálise se ocupa do sujeito que a ciência deixa de lado, presta atenção àquilo que o médico não escuta. Não medimos taxas no sangue, não radiografamos ou diagnosticamos, mas escutamos o que o sujeito tem a dizer sobre esse corpo manipulado, enlouquecido por uma doença que resiste aos medicamentos. Doenças nas quais muitas vezes a medicina não encontra um “sentido”.
Quando o indivíduo nasce, ele tem um organismo, um corpo despedaçado, um conjunto de órgãos que só através da linguagem vai ter estatuto de unidade corporal.
Este corpo a que me refiro, é um corpo que precisa do outro estruturado como um discurso para que este corpo de carne se transmute em corpo simbólico.
O sujeito, antes de nascer, já existe. Está na palavra mesmo antes de ter um corpo e continua a existir depois de sua morte, quando não tem mais um corpo. Isto é possível porque a duração do sujeito está sustentada pelo significante. É a linguagem que permite uma margem além da vida.
Precisamos esquecer que temos um corpo para não enlouquecer. Não ficamos escutando as batidas de nosso coração, medindo a pressão ou sentindo a respiração - salvo os hipocondríacos.
Mas o que acontece aos pacientes que apresentam as doenças chamadas “psicossomáticas” ? Doenças cuja etiologia não são explicadas?
Aqui os transtornos orgânicos fazem os órgãos presentes, existe um retorno do auto-erotismo que exclui o gozo da palavra. Sabemos que no auto-erotismo - como já está dito - o sujeito prescinde do outro como semelhante, tem um auto gozo, gozo no próprio corpo. Quantos de vocês já devem ter escutado de pessoas que sofrem de “doenças psicossomáticas” : “Esta doença me acompanha há tantos anos”; e fica como única companheira mesmo. Ou então: “Carrego comigo esta doença há dez anos “. E esta paciente precisava ficar trancada em um quarto escuro durante três dias, longe do marido e filhos.

Muitas vezes uma doença, assim como também uma droga, toma o lugar do parceiro sexual. O sujeito não goza sexualmente com o semelhante, mas com a doença ou com a droga que ingere. Asma, úlcera, alergias, obesidade, transtornos digestivos, tumores e hemorróidas. Nesta lista incluem-se também anorexia, epilepsia, diabetes, psoríase, etc.
Existe uma vasta relação de doenças que estão intimamente ligadas ao que o sujeito deixa de falar, com a renúncia de seu desejo. O que não é dito faz escrita no próprio corpo. Obstruindo uma veia, destruindo um órgão, abrindo feridas ou descamando a pele do corpo. Feridas que mostram que as coisas não vão bem, que algo não está sendo dito, em palavras.
A psoríase por exemplo, dá a ver , não para ler mas para mostrar e angustiar ao outro. Aqui o gozo não fica reservado às zonas erógenas, mas mete-se no corpo, corporifica-se fazendo a lesão. Escreve no corpo algo que é da ordem do número, um grito, uma escrita que parece ilegível. Mas o analista com seu desejo pode escutar e possibilitar ao paciente que ele coloque em palavras o que está incrustrado em sua carne.
Os pacientes com “doenças psicossomáticas”, geralmente têm outros casos na família, mas não é comprovado que são transmitidos geneticamente. Constatamos que são transmitidos pelo discurso. Às vezes é uma forma, ou a única forma de identificação ao pai. Exemplo de uma paciente que, tendo desconfiança que era filha adotiva, faz
uma psoríase, como sua avó paterna.
O analista não aborda os órgãos nem o organismo ou a enfermidade.
O único que trata é do discurso . Presta atenção ao sujeito, ou aquilo, que do corpo o representa. Não se ocupa de “fenômenos psicossomáticos”, mas, de significantes.
É preciso escutar o paciente e conduzir a cura até a abertura de um espaço onde o que é resposta fixa -- “doença psicossomática” - transforme-se em uma pergunta sobre seu desejo. Só assim o paciente pode colocar seu sofrimento no discurso, e não mais atribuir ao destino o que lhe acontece.
Podemos com nossa escuta oferecer um lugar e um tempo para que o sujeito faça dessa letra, desse número inscrito em sua carne, letra discursiva. Que isto possa aparecer nos sonhos, lapsos e esquecimentos, que possa transformar-se em palavras, em um dito o que está preso em um grito.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Carência ou doença real?



As doenças psicossomáticas surgem em momentos de muita ansiedade, estresse e frustração. E são bastante comum em pessoas “implosivas”, que não costumam extravasar os sentimentos, guardando para si sentimentos como dor e mágoa. Assim, a tensão causada por eles se acumula no organismo e, uma hora, “explode”, causando manifestações do organismo. E aí, aparecem doenças como síndrome do pânico, gastrite nervosa, asma, úlcera, artrite e problemas dermatológicos ou sexuais. clique aqui e saiba quais são as outras doenças psicossomáticas mais comuns.

Qualquer pessoa pode somatizar, mas existem aquelas que podem ser consideradas “somatizadoras típicas”, que sofrem com o problema com bastante freqüência e estão constantemente procurando algum tratamento médico. Estudiosos do tema chegaram à conclusão de que essas pessoas costumam ser carentes e que os sintomas seriam uma forma de chamar a atenção. Crianças são um bom exemplo disso: quando não têm seus desejos atendidos, algumas delas têm febre para ganhar a atenção da mãe. Assim, a mãe pára tudo para dispensar cuidados especiais. E é bastante comum que a garotada exteriorize suas dificuldades emocionais manifestando crises de asma, vômito, cólica ou ainda fazendo xixi na cama. Mas são os adolescentes e adultos que costumam sofrer mais com a somatização.

sábado, 13 de agosto de 2011

As Doenças Psicossomáticas e as dificuldades na classificação diagnóstica

Alguns pacientes possuem queixas somáticas inespecíficas ou difusas que dificultam uma classificação diagnóstica
Falta uma base orgânica que justifique seus sintomas, porém apresentam comprometimentos funcionais que devem ser pesquisados associados a fatores psicológicos.
Estes pacientes apresentam fatores psicológicos como etiologicamente relevantes no surgimento e manutenção da doença
Alguns cuidados no diagnóstico do paciente devem ser considerados
Quadros sindrômicos mais frequentes associados à somatização:
• Transtornos de humor
• Transtornos de ansiedade

Todavia, não encontrar uma alteração orgânica não significa ausência de doença orgânica.
A Somatização implica em dobrar os cuidados no diagnóstico, numa visão amplificada da pessoa doente.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Distúrbios Psicossomáticos

“Em síntese, é uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e sobre as práticas de saúde, é um campo de pesquisas sobre estes fatos e, ao mesmo tempo, uma prática, a prática de uma Medicina integral.”
O termo “Psicossomático” foi introduzido na Medicina em 1818 pelo psiquiatra alemão Heinroth e tinha, naquela ocasião, o sentido de designar as doenças somáticas que surgiam tendo como fator etiológico os aspectos mentais. Mas, em 1922, Felix Deutsch assinalou a Medicina Psicossomática como prática da promoção de saúde que procura levar em consideração a integração entre as funções do corpo e os processos mentais. Na moderna Psicossomática, este conceito evoluiu para o estudo da pessoa como ser histórico, que é um sistema único constituído por três subsistemas: corpo, mente e social. O movimento psicossomático surgiu na década de sessenta no Brasil, no período em que se estabelecia a "Revolução dos Corpos" na Psicologia e na Medicina buscava-se respostas para entender melhor as doenças funcionais que não tinham explicação médica, numa tentativa de integrar o corpo e a mente.
As emoções intensas exercem influência sobre as funções do corpo e faz parte do nosso dia-a-dia. A cada situação emocional corresponde uma síndrome específica de alterações físicas, respostas psicossomáticas, tais como o riso, o choro, o enrubescimento, alterações da frequência cardíaca, da respiração, etc. Quando estes processos psicomotores fazem parte do nosso dia- a- dia, não tem efeitos nocivos, são emoções intensas passivas.
As emoções e sentimentos mais fortes são percebidos pelo hipotálamo, estas emoções alteram as funções do hipotálamo e sua conexão com a hipófise. As doenças respiratórias, de pele, circulatórias e gastrointestinais causadas ou agravadas pela tensão nervosa são resultados desta alteração. Sendo assim, pode-se dizer que as doenças psicossomáticas têm componente psíquico, a manifestação de doenças orgânicas é ocasionada por problemas emocionais.
A hipófise, uma glândula que possui ligação com a região do hipotálamo no cérebro, é a responsável pelo mecanismo que desencadeia a doença, uma vez que ela produz hormônios que controlam todas as funções do organismo. O organismo possui suas próprias defesas, ou seja, ele manifesta, coloca para fora as emoções que às vezes a pessoa tenta esconder por meio de tremor, dores de barriga, gestos e travamento de dentes.
Doença e excesso de emoção caminham juntos. A emoção pode apresentar um efeito prejudicial permanente ou temporário ao organismo. A junção da ciência médica com a psicologia aplicada formou uma área conhecida como psicossomática que estuda estes efeitos da emoção.



As doenças psicossomáticas influenciam a percepção que o sujeito tem sobre seu próprio corpo. Mesmo quando uma emoção não provoca uma doença, ela pode interferir no curso de uma doença. A emoção pode atuar, decisivamente, contra um tratamento bem-sucedido da tuberculose, das doenças cardíacas, diabete, epilepsia, etc. Quando suas emoções, relacionamentos e suas experiências são afetados, isso pode contribuir para a produção das doenças que envolvem alterações patológicas na estrutura de seu corpo e no seu funcionamento.
A apreensão, o conflito, as aglomerações humanas, os transtornos da vida das pessoas, a mudança rápida e a necessidade do trabalho como meio de sobrevivência, provocam níveis de estresse que ameaçam a saúde e o bem-estar.
Embora não seja uma entidade patológica propriamente dita, o estresse é uma condição de descontrole de uma função fisiológica normal do corpo, que determina o aparecimento de sinais, provocando e complicando diversas doenças. O estresse pode ser uma manifestação normal de adaptação do corpo às exigências de seu ambiente, mas os mais evidentes são os de origem psíquica, por exemplo, a ansiedade que se manifesta organicamente.
O organismo reage às situações que aparecem na vida a partir de potencialidades que estão relacionadas com as doenças desenvolvidas por cada um. São elas:
  • Biológica: refere-se às características herdadas e congênitas, incluindo o funcionamento das glândulas, do metabolismo interno e das resistências e vulnerabilidades do corpo.
  • Psicológica: corresponde aos processos afetivos, emocionais e intelectuais, caracterizando a personalidade, a vida mental, o afeto e a maneira de se relacionar com as pessoas.
  • Social: é relativa a incorporação e influências dos valores, das crenças e expectativas das pessoas com as quais se convive, dos grupos sociais e das diferentes comunidades com as quais entram em contato durante a vida.
As doenças psicossomáticas surgem como consequência de processos psicológicos e mentais do indivíduo desajustados das funções somáticas e viscerais e vice-versa. Caracterizam-se as possibilidades de distúrbios de função e de lesão nos órgãos do corpo.




terça-feira, 9 de agosto de 2011

Doenças psicossomáticas: descubra se você possui


Gastrite, problemas metabólicos, insuficiência cardíaca. Essas são algumas das doenças que mais afetam os seres humanos. Muitas vezes procura-se até controlar os sintomas, mas elas continuam lá, e se não se descobrem as causas elas vão continuar nos perturbando.


Mas por que muitas dessas doenças não somem de uma vez? Por que elas sempre surgem em momentos inesperados? A resposta é simples: segundo psicanalistas, as emoções desencadeiam diversas reações no nosso organismo que podem desregular o funcionamento da máquina anatômica (nosso corpo humano) e causar doenças. Isso mesmo. A raiva que você sentiu porque passou por uma tremenda injustiça, o medo que você tem de alguma situação, a tristeza que você sente a mágoa que você guarda, entre outros, podem ser a causa tanto daquela dorzinha chata que aparece de vez em quando, como também pode ser o estopim para o surgimento de doenças mais sérias, como o câncer.

Encontre o seu problema de saúde na lista abaixo e descubra suas possíveis causas:

Amigdalite: Emoções reprimidas, criatividade sufocada.
Anorexia: Ódio ao externo de si mesmo.
Apendicite: Medo da vida. Bloqueio do fluxo do que é bom.
Arteriosclerose: Resistência. Recusa em ver o bem.
Artrite: Crítica conservada por longo tempo.
Asma: Sentimento contido, choro reprimido.
Bronquite: Ambiente familiar inflamado. Gritos, discussões.
Câncer: Mágoa profunda, tristezas mantidas por muito tempo.
Colesterol: Medo de aceitar a alegria.
Derrame: Resistência. Rejeição à vida.
Diabetes: Tristeza profunda.
Diarreia: Medo, rejeição, fuga.
Dor de cabeça: Autocrítica, falta de autovalorização.
Dor nos joelhos: Medo de recomeçar, medo de seguir em frente.
Enxaqueca: Raiva reprimida. Pessoa perfeccionista.
Frigidez: Medo. Negação do prazer.
Gastrite: Incerteza profunda. Sensação de condenação.
Hemorroidas: Medo de prazos determinados. Raiva do passado.
Hepatite: Raiva, ódio. Resistência a mudanças.
Insônia: Medo culpa.
Labirintite: Medo de não estar no controle.
Meningite: Tumulto interior. Falta de apoio.
Nódulos: Ressentimento, frustração. Ego ferido.
Pele (Acne): Individualidade ameaçada. Não aceitar a si mesmo.
Pneumonia: Desespero. Cansaço da vida.
Pressão alta: Problema emocional duradouro não resolvido.
Pressão baixa: Falta de amor quando criança. Derrotismo.
Prisão de ventre: Preso ao passado. Medo de não ter dinheiro suficiente.
Problemas pulmonares: Medo de absorver a vida.
Resfriados: Confusão mental, desordem, mágoas.
Reumatismo: Sentir-se vítima. Falta de amor. Amargura.
Rinite alérgica: Congestão emocional. Culpa, crença em perseguição.
Rins: Medo da crítica, do fracasso, desapontamento.
Sinusite: Irritação com pessoa próxima.
Tireóide: Humilhação.
Tumores: Alimentar mágoas. Acumular remorsos.
Úlceras: Medo. Crença de não ser bom o bastante.
Varizes: Desencorajamento. Sentir-se sobrecarregado.